Ermida do Senhor do Amparo, f. de Alhões, Cinfães, 2004 (c) Nuno Resende
A todos os leitores, cinfanenses e amigos, o autor do blogue História de Cinfães deseja um Santo Natal.
"Segundo participação do Governador Civil de Vizeu, em data de 16 do corrente [Março], consta que a 27 [de Fevereiro] do passado, pelas dez horas da manhã, entre as freguezias de S. Christóvão de Nogueira do concelho de Sinfães e Sant-Yago de Piães, do concelho de Sanfins, houve uma explosão de agua e pedras, que seguiu para o lado opposto da freguezia de S. Christovam, na direcção do ribeiro de Oleiros até ao Douro, ganhando n'este curso grande incremento, e causando muitos estragos em distancia de mais de uma legoa. § Destruiu todos os terrenos, fazendo vallas de 60 palmos de altura, e de 30 braças de largo; levou no seu curso 50 moinhos ou azenhas, entulhou o Doiro, e causou a morte a 8 ou 9 pessoas, entre as quaes havia uma familia inteira. O estrago calcula-se em sessenta contos de réis." Revista Universal Lisbonense, 1844, p. 392.
Estamos os dois selvagens, meu caro Negrão. Tu em Mosteirô e eu em S. Miguel de Seide. Ha sete mezes estive na estação proxima de tua casa. Não podia ir abraçar-te porque acompanhava meu filho Jorge que indoudeceu aos 16 annos, tem hoje 18, e está irremediavelmente perdido. Quando passei vinha das Pedras Salgadas onde elle apenas se demorou 2 horas, e quiz immediatamente oltar para casa. Eu adoro este desgraçado; e o que peço a Deus é que m'o deixe viver assim.
Um mapa da freguesia de Travanca, publicado em BROCHADO, Abílio Costa - «A freguesia de Travanca do concelho de Cinfães. Apontamentos para a sua história, IV: capelas da freguesia. Douro Litoral, Porto, JPDL, 7ª série, I-II, (1956) 69-147.
GONÇALVES, Abel, padre - Catarse. [Braga]: [edição do autor], 2007, ISBN: 978-989-20-0860-8.
"Abel Gonçalves nasceu no lugar de Pias, freguesia e concelho de Cinfães, a 1 de Novembro de 1931. Em Outubro de 1958 concluiu o Curso de Teologia no Seimnário Menor de Lamego. Em Outubro desse ano, foi nomeado Pároco de Valença do Douro. Após ter passado por várias dioceses, em Março de 1971 foi incorporado no Exército e seguiu com o Batalhão 1911 para a Província Ultramarina da Guiné, com o posto de Alferes. Havia de voltar a África, em 1972. Regressa a Portugal no atribulado ano de 1974. Em 1987, por velhice e doença dos, após vinte anos de serviço efectivo pede a passagem à situação de reforma. Presentemente é um dos capelães da Capela das Almas, no Porto". (da badana)
«A CASA DA ARQUITECTURA inaugura a 5 de Novembro, pelas 21h00, a 3ª exposição do Ciclo “Jovens Arquitectos Premiados” com a apresentação do projecto “Tendais House” distinguido com a medalha de prata na Bienal de Arquitectura de Miami Beach 2009 na categoria “Habitação Unifamiliar” do arquitecto, Fernando Mendes Pinheiro (A43 arquitectura).» Mais informações em Casa da Arquitectura.
Poucas terras haverá que tanto careçam de melhoramentos relativamente a viação publica, como este concelho.Existem apenas dous trechos de estradas de macadam, um que atravessa a fréguezia de Espadanedo, e penetra nas de Tarouquella e Sozéllo, e outro n’esta villa, que vae terminar em S. Christóvão, proveniente da quinta da Granja, do sr. Pedro de Bourbon. Ha ainda um bocado de poucas dezenas de metros, em Porto Antigo, juncto á ponte de Mosteirô. Tudo isto que é devido apenas ao sr. Conde de Castello de Paiva, é muito pouco para este concelho, onde ha caminhos que são verdadeiros precipicios, e onde e a necessidade de communicações mais commodas muito se faz sentir. A ligação dos trechos de estradas mencionados traria grandes vantagens para o publico, e para o commercio d’esta villa, com a estação de Mosteirô por meio de uma via commoda e por onde possam transitar á vontade os vehiculos: uma estrada de mac-adam que partindo das proximidades do tribunal, para onde a villa tende a deslocar-se, fosse atravessar o Ribeiro Bestança, perto da emboccadura por meio de uma ponte, tinha a grande vantagem de tornar ás povoações de Porto Antigo e Souto do Rio facil a passagem no Bestança, que no inverno sómente se póde fazer em barco. É de tal necessidade esta ponte, que já dous particulares, a ex.mª sr.ª D. Maria, do Souto do Rio, e o sr. Adriano de Serpa, construiram um, n’esse sitio, á custa do seu bolso, a qual foi não ha muito tempo, arrebatada por uma cheia.
Fallando de melhoramentos não podemos occultar que a ligação d’esta villa com Castro Daire traria grande vantagem não sómente ao commercio de Sinfães, mas tambem aos povos de Castro Daire que teriam grande commodidade em se aproveitar d’essa estrada para irem para o comboyo sem terem de dar a volta a Lamego, como fazem agora. (…)

Musa Sinfanense é um pequeno livro de poesia, da autoria de António Teixeira de Castro Montenegro, sobre quem pouco sabemos. Foi editado em 1938, provável edição de autor com distribuição a cargo da Livraria Progredior, no Porto. Através desde dado e da referência no prefácio, supomos que António Teixeira, embora ligado a Cinfães por laços familiares, devia ter vivido e singrado naquela cidade, (talvez como comerciante ou proprietário), dado que deseja legar 20% sobre o lucro da venda deste pequeno livro a favor dos alunos que frequentarem a Escola oficial masculina n.º 5, na Avenida Baltazar Guedes, ao Bonfim. Dado que a zona oriental do Porto, onde se localizava aquele estabelecimento de ensino, era área particularmente atractiva para migrantes e imigrantes, talvez António de Castro Montenegro aí vivesse ou por lá tivesse passado a caminho ou de retorno do Brasil. Pelos singelos poemas podemos ainda constatar a existência de uma filha, Marília (pp. 10-11), o gosto do autor por Camilo Castelo Branco (p. 17), a sua homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral (que em 1938 retumbava ainda como um feito digno dos argonautas da Expansão) e o contacto com alguns dos espaços urbanos no Porto (Palácio de Cristal) e arredores (Leça, Gondomar). O autor dedica, ainda, uma poesia à sua Aldeia (pp. 42-44), sem, contudo, revelar o topónimo. Seria junto ao Paiva, pois a este rio se refere no poema «O primeiro mestre de natação» («o meu Paiva murmurante», p. 52). Sobre o percurso escolar de António Teixeira, é possível acrescentar algumas notas graças à poesia que legou. Em 1911 despediu-se da Escola Normal e passou algum tempo pelo hospital psiquiátrico Conde Ferreira, onde diz ter tirado um curso, «estudando, noite e dia / Letras, direito e até cursando psiquiatria», como refere um curioso poema em que rebate o remoque ou sátira de outrem em relação tal período. Como refere o anúncio na primeira página da obra, estava em preparação o 2.º volume desta Musa Sinfanense que, tanto quanto supomos, não terá chegado a ver a luz do dia. Referência bibliográfica: MONTENEGRO, António Teixeira de Castro - Musa Sinfanense. Porto: [edição de autor], 1938, 71 pp., 19,5x13 cm.
Ponte de Porto Antigo dinamitada em Janeiro de 1919 na sequência da «Monarquia do Norte, c. 1919, digitalização de positivo fotográfico em papel, colecção particular de Nuno Resende. A propaganda republicana, após a contenção do movimento (sedeado no Porto entre 19-01 e 23-02-1919) imputou responsabilidades aos monárquicos pela implosão da estrutura. Os monárquicos, em sua defesa, responsabilizaram as tropas de Abel Hipólito (militar e , em 1919, Senador por Viseu). Dado que a República venceu, foram acusados conspiradores realistas de Cinfães, como o Padre Freitas e o amanuense da Câmara Municipal, Alfredo da Silva Pimenta. Este último foi julgado exemplarmente, onde o testemunho de apaniguados do regime substituiu as provas. A ponte é uma boa metáfora para este tempo conturbado: liga duas margens nas duas direcções. A razão está de qual dos lados? (nota: no canto inferior direito é possível ver parte do grande areal de Porto Antigo).
ABEL BOTELHO



O município de Cinfães acaba de aderir à Rota do Românico sendo incluído num interessante projecto de turismo cultural que há cerca de uma década marca a região do Vale do Sousa. Esperamos que, com esta iniciativa, se olhe com mais atenção para o património religioso e que, sobretudo, se invista mais na salvaguarda e no estudo do legado que recebemos dos nossos antepassados. Não basta, contudo, providenciar sinalética que indique a presença de monumentos. É preciso conhecê-los, respeitar a sua funcionalidade religiosa e compreender a sua existência. P.S. E esperamos que os técnicos tenham o bom senso de ultrapassar os anacronismos burocráticos actuais e, ainda que vinculando Cinfães aos Vales do Sousa e Tâmega, respeitem as especificidades do românico duriense. Até porque a arte e a cultura não se formatam segundo grelhas administrativas actuais...
Fotografia de Jorge Ventura (c)

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