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domingo, 31 de março de 2013

Os Sousas Pintos de Fundoais (parte I)



Retrato extraído de O Occidente n.º 111, de 21-01-1882. Basílio Alberto de Sousa Pinto (1793-1881).


Os Sousas Pintos, assim conhecidos a partir do casamento do doutor José de Sousa Ribeiro Pinto e de D. Bernarda Maria Correia Pinto de Resende, em 1787, são um dos mais notáveis exemplos de ascensão social através da política. Ideologia e formação académica determinaram que o poderia ser apenas mais uma geração de bacharéis de província resultasse na vertiginosa progressão de cinco irmãos que marcaram o panorama cultural português através das mais variadas áreas, desde a astronomia ao direito.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Boassas e a sua "Casa"

https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxudW5vcmV6ZW5kZXxneDo3OGY5N2RmYThmY2RkZjY0
«Boassas e a sua Casa:  
breve história da ermida de Nossa Senhora da Estrela» (2.ª versão)
(clique sobre a imagem para aceder ao texto)

domingo, 19 de agosto de 2012

OS SEMBLANOS: a epopeia de uma família

De origem toponímica (existe a povoação da Semblana no Alentejo), profissional (de semblar, ofício do ensamblador) ou mesmo corruptela de Sempliciano, como afirma Felgueiras Gaio o apelido Semblano parece ser estranho à região de Oliveira do Douro até ao século XVII. Contudo, através do enlace de António Barbedo Pereira com Maria de Amaral, ocorrido a 25 de Agosto de 1690, inicia-se uma profícua descendência de Semblanos a sul do Douro. A epopeia desta família, marcada por uma ascensão social vertiginosa, é um exemplo que pode não ser extravagante à sociedade hierarquizada do Antigo Regime, mas certamente não constituiria a norma para uma ascenção social dificultada pela organização em famílias e pureza de sangue, que a Igreja e o Estado acalentavam.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Património que se perde.

Nota: a fotografia foi colhida de espaço público e, como especifica a legislação em vigor, não viola o direito à privacidade.  
Clique na imagem para aumentar.

Em 2004 "descobrimos" a quintã de Paredes (f. Oliveira do Douro), ou o que restava do edifício medieval foreiro à Comenda de Gundar (c. Amarante), provável herdeiro de uma torre senhorial que aqui existia. Passados oito anos, constatamos (embora nos fosse difícil reconhecer o edifício, tais as modificações que sofreu) que tinha sido ferozmente alterado: ao gracioso patim sucedeu um volumoso "contentor", acrescentados vãos, fechadas as juntas e (pasme-se) cimentadas as arestas limadas ou biseladas que datavam esta estrutura do século XVI - uma das poucas ainda existentes em território cinfanense. Não julgamos os seus proprietários, legítimos executores das obras. Mas talvez com um pouco de pedagogia por parte das autoridades que gerem e fiscalizam o património este crime urbanístico, histórico e cultural pudesse ser evitado. Infelizmente as entidades governamentais portuguesas continua a deixar desaparecer as únicas indústrias que podem ajudar  reverter o caminho para a crise: a Cultura e o Turismo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma viagem sem retorno?

1623, Abril, 2, Oliveira do Douro – Manda (testamento) que redigiu Pêro Rodrigues, abade de Oliveira, a pedido de Damião Cardoso, que tencionava partir para o Brasil. 
Arquivo Diocesano de Lamego, Paroquiais, f. de Oliveira do Douro, L.º 2.º (misto), fl. 139 v.º
Aos dous dias do mes de abril anno de mil e Seis/centos e Vinte E tres dentro Em minha casa estando eu / Pero Rodrigues abbade desta Igreja de São Miguel d oliveira apare/ceo Damião Cardoso filho que ficou de Cosme Ribeiro de / Villa nova E disse que elle estava Em todo Seu Siso E que / Se partia para o brasil E que não Sabia do que deos determinaria / que lhe fizesse Estes apontamentos para descargo de Sua Consciença / Ey como Cristão confessava a Santa Fee catholica E sendo / caso que elle fallecesse deixava que qua lhe dissesse quinze / missas repartidas Em tres officios scilicet cada hum de Sinco missas / E hua Seria cantada Com sua obrada E obradasse hum anno / quero dizer desse esmolla para E [...] E os domingos de / Hum anno a Conta de Sua Legitima E sendo Casa que Sua may / fosse morta o remanecente fiquasse a Seu irmão / baltesar Ribeiro E a Sua Irmãa Catarina Ribeira que / partão irmãa mente Isto disse para ante mim Sobre dito abbade / eu Pero Rodrigues a fiz de minha letra E assinei E fui testemunha / E Antonio filho de Antonio Martins da Bouça E domingos fernandes / da Castinheira E fis estes apontamentos neste Livro de / defuntos para que a todo o tempo se achasse não se acharão mais folhas

Damião Cardoso
Pero Rodrigues

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Centenário da República em Cinfães: antologia photographica: #6

Ponte sobre o Cabrum. Postal não circulado (de uma série de imagens da freguesia de Oliveira do Douro, colecção particular, primeiros anos do século XX.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Bibliografia cinfanense: As Memórias Paroquiais de 1758.


CAPELA, J. Viriato e MATOS, Henrique, coord. - As freguesias do Distrito de Viseu nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património. Braga: [Universidade do Minho], 2010, ISBN: 978-972-98662-5-8. Preço € 60.


Tendo já saído em Agosto de 2010, não podemos deixar de salientar a importância desta obra para os estudos históricos locais e regionais, nomeadamente para o conhecimento do actual município de Cinfães, no século XVIII. Integrando um projecto que pretende transcrever e analisar todas as Memórias Paroquiais de 1758 de Portugal, este volume (o sexto) contempla o Distrito de Viseu. Foi editado pela Universidade do Minho, sendo o coordenador da obra, o Prof. Doutor José Viriato Capela. Entre a página 221 e a página 258 é possível ler cada uma das memórias produzidas pelos párocos das freguesias do actual município de Cinfães: Alhões (cura Manuel Pinto); Bustelo (sem assinatura); Cinfães (encomendado Heitor Cardoso) (nota 1); Ermida do Douro (Abade Luís Leite Lima); Escamarão (reitor António Pereira de Andrade); Ferreiros de Tendais (abade Manuel Antunes); Fornelos (abade Manuel José Carneiro Rangel); Gralheira (cura Manuel Rodrigues); Moimenta ( pároco José Diogo de Figueiredo); Santa Marinha de Nespereira (abade Abel Monteiro de Carvalho); Santo Erício de Nespereira (reitor Pedro Monteiro Coutinho); Oliveira do Douro (abade Baltasar Manuel de Carvalho Pinto Teixeira); Ramires (sem assinatura); Santiago de Piães (abade Manuel Ferreira da Silva); São Cristóvão de Nogueira (reitor José da Cunha e Gouveia); Souselo (abade Francisco Pereira de Carvalho); Tarouquela (reitor José Carlos de Morais Sarmento); Tendais (abade António Leite Pereira) (nota 2); Travanca (Jorge Garcês de Andrade).
Prós: A transcrição, ainda que depurada da ortografia original, é de fácil leitura; os índices e roteiros onomásticos e devocionais.
Contras: a organização por distrito e municípios pós-liberalismo que deturpa a paisagem administrativa contemporânea da fonte (1758); a actualização da ortografia; os ensaios históricos baseados na divisão diocesana actual; e a existência de bibliografia regional de apoio incompleta; o preço e o peso (o que impede um manuseamento prático...)

NOTAS:
1) Esta Memória fora já transcrita e publicada em GUIMARÃES, Bertino Daciano R. S. - Cinfães (subsídios para uma monografia do concelho). Porto: Junta de Província do Douro Litoral, 1954, pp. 187-203
2) Esta Memória foi transcrita por ROCHA, Arnaldo em "As memórias Paroquiais de 1758 de Santa Cristina de Tendais". Tendedeira, 4 (2004) 5-7. Curiosamente nenhum dos transcritores foi capaz de decifrar a letra do Abade António Leite Pereira no respeitante a uma das respostas do inquérito, a 13.ª quando se questionava sobre as capelas, ermidas e seus respectivos administradores. Quando chegou a vez da de São Pedro, no lugar da Granja, o abade respondeu que desta era administrador o Comendador da Hjlmida, ou seja, Ermida, referindo-se à Comenda de Nossa Senhora da Conceição da Ermida do Paiva a qual ficou como administradora dos bens daquele extinto mosteiro. 
Nota final: as respostas ao inquérito paroquial de Cinfães foram sendo publicados ao longo dos últimos 10 anos pelo escritor novelista Guido de Monterey, nas páginas do jornal Miradouro, mas sem qualquer enquadramento histórico ou devida sistematização. Cremos, por isso que a recém lançada obra da coord. do historiador J. Viriato Capela vem providenciar o manual de consulta e investigação que faltava.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Centenário da República em Cinfães: antologia photographica #6


Igreja de Oliveira do Douro. Postal não circulado de uma colecção de 9 que reproduzem aspectos vários de Oliveira do Douro, finais do século XIX. Colecção particular. Atrás da pequena igreja de Oliveira (que nesta altura ainda não possuía campanário) a imponente Casa da Castanheira com os seus acrescentos e edifícios anexos. Embora suspeitemos que este postal seja anterior à implantação da República, não deixa de ser um documento valiosíssimo para o estudo da arquitectura e da própria evolução história da paisagem por terra de Cinfães, nos últimos 150 anos.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dicionário Biográfico de Cinfães (II)

Alexandre Alberto de Serpa Pinto ou Alexandre Alberto de Serpa Pinto da Costa
(Vimieiro, ? - Vimieiro, 1839)

No ano em que se assinalam dois séculos passados sobre as invasões francesas e as guerras peninsulares, é impossível ignorar a figura de Alexandre Alberto de Serpa Pinto. O município de Cinfães que, embora não sendo a sua terra natal o é dos seus pais e avós, não o devia fazer, prestando o devido reconhecimento (talvez toponímico) a um dos mais importantes homens do Liberalismo – e, logo, da Democracia Portuguesa. Este militar, filho do Capitão-mor de ordenanças do Concelho de Ferreiros de Tendais, António de Serpa Pinto da Costa (bap. 02-06-1743) e de sua mulher Ana Angélica Maria Pinto de Abreu (fal. 15-11-1825), nasceu provavelmente em Vimieiro (freguesia de Sande, hoje c. de Marco de Canaveses), entre as décadas de 1760 e 1770, e distinguiu-se, numa primeira fase da sua vida, na defesa miliciana contra os invasores franceses e, depois, nas campanhas liberais do Porto e ainda no clima político que se lhe seguiu. Criado no seio de uma das mais nobres famílias das governanças do concelho de Ferreiros de Tendais (a qual tinha solar em Boassas), com ligações muito vincadas ao Porto e ao Minho, Alexandre Alberto, primogénito de nove irmãos, foi encaminhado para uma carreira de letras que já haviam seguido alguns dos seus familiares maternos, nomeadamente o seu tio-avó Quintiliano Pontes de Lacerda *, da Casa de Castro de Cio, Procurador do Estado de Bragança. Encontramo-lo, pois, em Coimbra, matriculado em 1799 no 2.º ano do curso de Direito, (AUC, Direito, 31-X-1798, matrícula, 2.º ano 2-X-1799), Universidade onde terá sorvido as ideias políticas e recebido os ventos ideológicos que o levarão a combater como militar pelo País e a servir o partido de D. Pedro de Bragança, Imperador do Brasil e Rei de Portugal. De facto poucos anos depois da sua formatura, a Europa seria varrida pelo Imperialismo tentacular de Napoleão. Portugal não escapa à cobiça hegemónica do Imperador dos Franceses e Alexandre Alberto não hesita em pegar em armas. Como homem de confiança do malogrado Freire de Andrade, executa serviços de espionagem, vigiando o General Loison ("o maneta"), que preparava a primeira invasão ao solo português (1807). Depois, destacou-se na libertação e defesa das cidades de Abrantes, Coimbra e Tui. Sobre o ataque a esta, em que se distinguiu ao lado do major Sebastião Pinto de Araújo e do Tenente Sá Baptista, foi escrito: «à frente de fracas forças atacou energicamente três mil soldados inimigos que se encontravam em Tui, pondo-os em completa debandada» (GEPB, vol. 28, pp. 464-465). Este feito e em particular a táctica que utilizou na conquista daquela cidade espanhola foram recentemente abordadas num Congresso sobre as Invasões Peninsulares. Durante a 3.ª invasão, ainda participou na libertação da cidade de Coimbra. Foi um dos bravos que desembarcou na praia do Mindelo, em Julho de 1832, ao lado de D. Pedro, tendo participado na conquista e defesa do Porto contra o exército miguelista - de forma tão briosa e corajosa que foi condecorado com o grau de Cavaleiro de Torre e Espada. Mas A.A. de Serpa Pinto não se notabilizou apenas no período das Invasões Francesas e das guerras liberais, como militar. Participou na construção do Portugal Liberal, como deputado às Cortes em 1823, 1834-1836 e 1838-1839. Deve-se-lhe uma intervenção na sessão de 20 de Maio de 1823, aquando de um projecto de divisão do território, em que agrupavam no Julgado de Cinfães os concelhos de Cinfães, Ferreiros de Tendais, São Cristóvão de Nogueira e Sanfins e no de Arouca, o de Tendais, entre outros. A este propósito, interviu, dizendo: «Eu queria que para este julgado [de Cinfães] passasse o concelho de Tendaes, que tem todas as communicações com Ferreiros, e confina com elle: além de que ficando pertencendo a Arouca tem de passar muitas, e mui altas montanas, intransitaveis no inverno». Assim foi aprovada esta moção, devendo-se a A.A. Serpa Pinto da Costa uma contribuição para a construção do actual município de Cinfães. Em 1836 esteve envolvido, com os dois filhos -António de Serpa Pinto e José Maria de Serpa Pinto * -, no movimento cartista que culminou na Convenção de Chaves (20-9-1837). Casou duas vezes, a primeira com a sua prima e parente, Joaquina Antónia de Lacerda da Silveira Ataíde Vasconcelos, da casa de Castro de Cio (Ferreiros de Tendais), de quem houve cinco filhas (uma delas Carlota Cacilda, mãe do explorador e africanista Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto*) e dois filhos, atrás referidos, ambos militares destacando-se o General José Maria de Serpa Pinto * (nascido em Boassas e baptizado em Oliveira do Douro a 20-03-1819). Casou a segunda vez com Isabel Laureana Mourão Figaniére (fal. a 31 de Agosto de 1867), irmã do Visconde de Figaniére, de cujo matrimónio houve dois filhos. Pensa-se que Alexandre Alberto de Serpa Pinto, como muitos liberais do seu tempo pertenceu à Maçonaria. Foi do Conselho da Rainha D. Maria II, Fidalgo da Casa Real (por alvará de 13 de Outubro de 1815), Comendador na Ordem de Cristo, Cavaleiro da Torre e Espada (como já referimos), condecorado com a cruz nº 3 da Guerra Peninsular, administrador da capela de Santa Maria Madalena, das Caldas de Aregos (administração que a rainha D. Maria estendeu por 2 vidas em memória do filho de A.A., José Maria, falecido em combate no Rossilhão, cf. Gazeta de Lisboa de 3 de Junho de 1794) e da capela de São Francisco da Vila de Setúbal, além das patentes militares que mencionámos. Faleceu em 1839, na sua quinta do Vimieiro, da freguesia de Sande. BIBLIOGRAFIA: S.A. - «Alexandre Alberto de Serpa Pinto». In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 28, pp. 464-465; REZENDE, José Cabral e REZENDE, Miguel Pinto de - Famílias nobres nos concelhos de Cinfães, Ferreiros e Tendais nos séculos XVI, XVII e XVIII. Porto: ed. [Carvalhos de Basto], 1988, p. 133; PINTO, Agostinho Albano da Silveira et alli - Resenha das familias titulares e grandes de Portugal, 2.ª edição. Lisboa: Edição de Empreza Editora de F.A. da Silva, 1991; PINTO, Luiz Bernardo Carneiro - «Descendências e origens» - VIII - Casa do Vimieiro, Raizes e Memórias, n.º 11 (1985) 179-180; AGUIAR, Manuel Vieira de, padre - Descrição histórica, corográfica e folclórica de Marco de Canaveses. Porto: Edição de Esc. tip. oficina de S. José, 1947, p. 215. Nota: a biografia dos nomes assinalados com asterisco (*) será desenvolvida em outros verbetes.

© Nuno Resende, Dicionário Biográfico e Histórico de Cinfães, n.º 2, 2009

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