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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pormenores de Cinfães #1

Representação heráldica de D. Manuel de Vasconcelos Pereira, bispo de Lamego.

D. Manuel de Vasconcelos Pereira, nasceu em Castro Daire em 1731 e faleceu em Lamego, no ano de 1786. Foi bispo desta diocese a partir de 1772. Em Cinfães assinala-se a sua presença através desta representação heráldica, no ático do retábulo de Santo António, localizado na capela do mesmo nome, panteão dos morgados de Veludo. Aquando das obras de construção da nova igreja, concluída em 1776, foi edificada uma nova capela e nela este retábulo que recorda a devoção antoniana dos morgados de Veludo. D. Manuel era cunhado de D. Doroteia Joaquina Malheiro de Melo que em 1776 era a representante do vínculo de Veludo, senhora da casa do Enxertado em Resende, como se alude na inscrição aposta do lado esquerdo (do do ponto de vista do observador) do retábulo de Santo António (ver imagem abaixo). D. Doroteia era casada com o desembargador juiz da coroa, João Ferreira Ribeiro de Lemos, ambos pais do 1.º Barão de Lazarim, homónimo de seu tio, o prelado de Lamego.

Retábulo de Santo António na igreja matriz de Cinfães

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A posta (correio) em Cinfães no século XIX.



Em 1868 a gestão dos correios dividia-se em Círculos e estando já formado o actual concelho de Cinfães, o território deste sujeitava-se aos círculos postais de Coimbra e Viseu. A Coimbra seguia a posta expedida de Souselo, Travanca e Nespereira. Todo o restante município servia-se dos serviços centrais de Viseu. Consultando a sinalética do mapa ficamos a saber que existia uma direcção de correio na cabeça do concelho (Cinfães) e três delegações nas freguesias de Piães (Sanfins), Ferreiros de Tendais e Nespereira. Boassas era a única aldeia que auferia da vantagem de possuir correio fora daquela repartição.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Instituição da capela dos de Velude (1350)

No dia 16 de Março de 1756, o escrivão da Provedoria da Comarca de Lamego, José de Sequeira Pereira, dirigiu-se ao lugar do Enxertado, do concelho de Resende. Aí o esperava José de Melo Perestrelo, nobre senhor da casa daquele lugar e descendente dos Morgados de Velude, que na sua posse tinha cópia da escritura original da fundação do vínculo. Esta instituição definia, mais do que um conjunto de bens indivisíveis para usufruto do administrador, um conjunto de regras e património destinado à manutenção de um património religioso linhagístico. Em suma, tratava-se da fundação de uma capela - nos sentidos jurídico e físico do termo. Esta capela situava-se, então, no coxão da ossia da igreja de São João Baptista de Cinfães, onde o instituidor, Vasco Esteves de Matos e sua mulher deviam deitar-se para dormir o sono eterno. Embora a capela original já não exista, mercê das modificações setecentistas, ainda subsistem os dois moimentos, encaixados em dois arcossólios. Para salvaguardar o dito documento de instituição procedeu-se à sua transcrição no livro da Provedoria. Graças a este facto é-nos possível vislumbrar um pouco da vida e do quotidiano de um nobre de Cinfães no século XIV. Continuando a nossa política de pedagogia pela história, disponibilizamos aqui a transcrição paleográfica do traslado de 1756, devidamente anotado. Posteriormente publicaremos o testamento do primeiro morgado, Martim Esteves de Matos. Relembramos que, quer a transcrição, quer as anotações e o preâmbulo podem ser divulgados, mas não sem a devida citação.


TRANSCRIÇÃO
Respeitamos a ortografia e desdobrámos as abreviaturas. Os fólios e anotações à legibilidade ou estado do documento vão entre parêntesis rectos. Os negritos indicam que a palavra ou expressão segue desenvolvida em nota final.

1756, Março, 16 - Traslado da instituição de capela mandada fundar por Vasco Esteves de Matos nas notas do tabelião de Cinfães, Vicente Esteves, a 13 de Fevereiro de 1350 (o documento diz era de 1388).
Arquivo Histórico Municipal de Lamego, Livro da Provedoria, I, fólios 419-421.

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Bibliografia cinfanense #9


MELO, Teodoro, frei / transc. de REIS, José António - Textual genealogico de cujos titulos se provam a Arvore dos Morgados de Velludo e Collegio da Baeta [1731]. Porto: [edição de autor], 2010, ISBN 989-20-2227.

Frei Teodoro de Melo, um Religioso do Convento de Cristo de Tomar natural do lugar de Enxertado, concelho de Resende, foi o autor de alguns trabalhos sobre a família e linhagem dos Morgados de Velude ou Veludo. Este vínculo, que recebeu o título de um lugar ainda hoje existente na freguesia de Cinfães foi criado em 1388, por Vasco Esteves de Matos e traduzia-se, no século XVIII (altura em que Frei Teodoro nasceu e viveu), numa poderosa instituição familiar, que superintendia vários direitos  e propriedades no Douro, na Beira e em Coimbra. 
O primeiro morgado, Martim Vasques de Matos viveu, como o pai, por terras cinfanenses e comprometeu-se, pelas cláusulas da escritura de instituição vincular, a zelar pela fábrica e missas impostas na capela de Santo António, adossada à igreja matriz de São João Baptista de Cinfães, - capela essa que ainda hoje existe, embora se trate de uma reconstrução setecentista. Como tal, apesar da uma política matrimonial que os afastou de Cinfães, os Malheiros de Melo (apelidos que tomaram os descendentes dos morgados) tinham neste concelho os seus lugares principais, fosse no pequeno lugarejo de Velude, fosse no panteão da igreja matriz, onde ainda hoje se exibem os vetustos mausoléus dos instituidores. Aqui paravam nas suas deslocações, aqui vinham tratar dos seus negócios e aqui casavam e, como tal, o território era-lhes familiar e com certeza querido. Esta proximidade ditava que os investimentos familiares não fossem apenas privados, num tempo e num espaço em que o planeamento urbanístico quase não existiam, não sendo por isso de admirar que, cerca do ano de 1693, o morgado Manuel Carneiro de Melo, pai de Frei Teodoro, tenha pago a fábrica da nova Ponte das Pias, "instando pela utilidade pública". Não era apenas, uma questão de utilidade pública, era, como no caso da construção da Ponte de Covelas, mais ou menos contemporânea da das pias, uma forma de afirmação nobiliárquica. Mas o investimento em pontes e caminhos, acto comum na nobreza da época, não era meramente simbólico, revertia a favor das linhagens num acesso mais célere a pessoas e bens do seu interesse.
Das obras produzidas por Frei Teodoro de Melo, chegaram aos nossos dias dois códices depositados nos Reservados da Biblioteca Pública Municipal do Porto. O primeiro, por nós já referido: Textual Genealógico de cujos titulos se provam a Arvore de Morgados de Velludo e Colegio da Baeta em tudo, ou em parte, e as mais que se seguirem [1731] (BPMP, Reservados, doc. 701) e um outro, colossal trabalho genealógico sobre os mesmos Morgados de Veludo, intitulado Nobiliário Particular e Prova das Memórias da Casa dos Morgados de Veludo e Colégio da Baeta com as verdadeiras genealogias das Família com que prendem e que dela se derivam até o ano de 1733, (BPMP, Reservados, Doc. 229). Esta segunda obra fazia parte de um tratado que versava igualmente sobre as condições da terra e a origem da nobreza, num exercício comum para a época. Embora alvo de uma incipiente análise histórica e de uma crítica pouco objectiva, pontuada por alguns anacronismos, um apócrafo deste tratado foi  editado pela Câmara Municipal de Resende, sob o estudo do padre Joaquim Correia Duarte ( – Resende no século XVIII. Lamego: C.M.R., 2004).
Mais recentemente veio a lume a edição transcrita  do Textual Genealógico, cuja capa reproduzimos acima. Da autoria do genealogista José António Reis, a edição daquele códice permite lançar luz sobre um vasto leque de anotações potencialmente riquíssimas em termos historiográficos, dado que, ao contrário da maioria dos trabalhos genealógicos da época (de teor mais ou menos laudatório), o Textual reproduz uma súmula de fontes primárias utilizada por Frei Teodoro de Melo para as suas árvores e descendências. Em 563 pontos, o religioso de Tomar exara dados colhidos em escrituras de dote, instituições vinculares, testamentos, tombos, etc, indicando a data, local de produção e arquivamento e sua autoria, frequentemente tabeliães cujas notas se perderam.
É por isso, de saudar a publicação de tão valioso documento para a História Local e Regional, nomeadamente para que seja possível aprofundar o conhecimento do passado de indivíduos ligados a Cinfães e à evolução deste território.
Prós: a edição de fontes constitui, sempre, uma mais-valia para a historiografia;
Contras: a inexistência de índices toponímicos e onomásticos, que dificulta a busca de denominações.
Bibliografia adicional sobre os Morgados de Velude e frei Teodoro:

DUARTE, Joaquim Correia – Resende no século XVIII. Lamego: Câmara Municipal de Resende, 2004;
GAIO, Manuel José da Costa Felgueiras - Nobiliário de famílias de Portugal. Braga: Carvalhos de Basto, 1989– 1990 (título de MATOS, § N2 e PINTOS, § 187 e seguintes).
MENDES, Nuno Miguel de Resende Jorge - Retratos de Terra e de Família. Porto: Câmara Municipal de Cinfães, 1997 (onde, a pp.85 a 91, o genealogista José Cabral Pinto de Rezende disserta sobre um ramo ilegítimo desta família, que subsiste na freguesia de Tendais);
PINTO, Joaquim Caetano - Resende nas letras. Autores, obras, antologia. Braga: [edição de autor], 1985.;
REZENDE, José Cabral Pinto de e RESENDE, Miguel Pinto de - Famílias nobres nos concelhos de Cinfães, Ferreiros e Tendais, nos séculos XVI, XVII e XVIII. Braga: [Carvalhos de Basto], 1988.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O nome Cinfães.

Uma leitora do site "História de Cinfães" questionou-nos sobre porque razão se escreve Cinfães e não Sinfães. De facto a segunda grafia foi, sobretudo, utilizada no século XX, nas variantes Sinfães e Sinfains. Mas erróneamente, já que vinha cortar com uma tradição etimológica medieval e moderna: em 1258, Cinfaes, em 1527, Cynfanes, etc. É com "c" que se faz este topónimo. Passemos a palavra ao etimologista e toponomista, o Doutor A. Almeida Fernandes:

Cinfães: O povoamento nos inícios nacionais, ou seja, de que resultou a povoação actual, fez-se por casais e deu o "burgo", como a Cinfães (Sinfães é escrita errónea) se chamava, hoje a vila desde esse tempo. A origem mais longínqua é uma "villa" Qiff(i)anis, de Qiff(il)a, tendo a nasal final provocado a nasalação, Qin-, que é a que hoje temos, Cin- sobre o concelho e a vila, ver o meu art. Gr.[ande] Enc.[iclopédia Portuguesa e Brasileira], vol. 29, pp. 149-160. (ver 1258 IS 972: " ecclesia de Cinfanes de terra de Sancto Salvatores" estava sob o padroado das ordens do Tempo e do Hospital", e lê-se em IS 973 que "quintana de Sancta Ovaya (Eulália) e "villa de Egregioo et villa de Tuberaes et Portela et Casali et villa de Berudi et Villa Nova et Lauredo de Matto et Lauredo de Jusao et Lauredo de Susao et villa de Cinfaes fuerunt de honor de donno Menendo Moniz" (D. Mem Moniz irmão de Egas Moniz, que com ela compartia segundo as inquirições de 1288. [....]

FERNANDES, A. de Almeida - "Povoações do Distrito de Viseu (origens). Cinfães. Beira Alta, Assembleia Distrital de Viseu, Viseu, vol LXI (2002), 14.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Centenário da República em Cinfães: antologia photographica #7

Igreja matriz de Cinfães. Postal não circulado, s/ data, colecção de Nuno Resende
(A disponibilização de uma cópia digital desta fotografia está disponível para trabalhos escolares e académicos. Envie o seu pedido para historiadecinfaes@gmail.com)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Centenário da República em Cinfães: antologia photographica: #3


Vista geral da vila de Cinfães, finais do séc. XIX, inícios do séc. XX. Digitalização de postal circulado, colecção particular de Nuno Resende.

(A disponibilização de uma cópia digital desta fotografia está disponível para trabalhos escolares e académicos. Envie o seu pedido para historiadecinfaes@gmail.com)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Guiães (ou Cinfães)

Como aventámos na Monografia de Cinfães, editada em 2000 (Pelouro da C.M. Cinfães), cremos que a localidade de Guiães que Eça refere, pela boca de Jacinto e de José Fernandes no romance «A Cidade e as Serras», poderá ser Cinfães. Admitimos tal hipótese, não apenas pela semelhança dos topónimo s mas pela distância a Tormes e pela descrição da paisagem de Guiães que bem poderia caracterizar a de Cinfães. Se não, «ouçamos»:

«As historias, muito simples e muito caseiras, que eu lhe contava, de Guiães, do abbade, da tia Vicencia, dos nossos parentes da Flôr da Malva, tão sinceramente o interessavam que eu encetára, para seu regalo, a chronica completa de Guiães, com todos os namoricos, e as façanhas de forças, e as desavenças por causa de servidões ou d'aguas. Tambem por vezes nos enfronhavamos, com afferro n'uma partida de gamão, sobre um bello taboleiro de pau preto, com pedras de velho marfim, que nos emprestára o Silverio. Mas nada de certo o encantava tanto como atravessar as casas, pé ante pé, até uma saleta que dava para o pomar, e ahi ficar encostado á janella, sem luz, n'um enlevado socego, a escutar longamente, languidamente, os rouxinoes que cantavam no laranjal.»

Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, 1901 [consulta online aqui]

domingo, 18 de outubro de 2009

Dicionário Biográfico de Cinfães: Padre Patrício Correia Peixoto


Padre Patrício Correia Peixoto
Tendais, 1723 - Cinfães, 1799
Paróco de Cinfães, mentor da reedificação da igreja matriz de Cinfães

Lemos recentemente no blogue de um conterrâneo cinfanense que a igreja matriz de Cinfães tinha sido obra de Nicolau Nasoni. O autor do blogue não sabia onde tinha obtido tal informação, mas é seguro que a tenha colhido numa obra monográfica local, destas que continuamente vão deseducando a nossa juventude, com informações históricas incorrectas e um palavreado inócuo que em nada contribui nem para o conhecimento, nem para a educação, muito menos para a salvaguarda do património cultural.
Esses monógrafos amadores, cheios de lirismo, são da mesma cepa dos que espalharam aos quatro ventos que a ponte de Covelas, sobre o rio Bestança, era do românica, quando a mesma ponte está perfeitamente datada de 1762, sendo portanto, um belíssimo revivalismo do período barroco que em nada deslustra a importância da construção. Infelizmente, basta percorrer a internet para perceber que o erro se repetiu até à náusea e provavelmente se repetirá ad aeternum, graças às afirmações categóricas de um ou outro mal preparado "estoriador". Ora se o erro da "deficiente" datação da ponte de Covelas é dos do tipo de palmatória, considerar a igreja de Cinfães como da autoria de Nasoni, - o famoso projectista da torre dita dos Clérigos, no Porto -, pode ser mais difícil de destrinçar para quem não for Historiador da Arte. Sem documentos, apenas com base em conjecturas derivadas da comparação de um outro pormenor, facilmente se atribuem autorias. O facto é que a igreja de Cinfães, bonito exemplar de um barroco regionalista, que se destaca entre as suas congéneres pela graciosidade do enquadramento decorativo do vão principal, foi concluída já Nasoni vivia o seu "canto de cisne".Os historiadores da obra daquele grande pintor italiano nunca incluíram, nem como trabalho documentado, nem como trabalho atribuído, a igreja de Cinfães entre os vários trabalhos executados por Nasoni em Portugal. Contudo, não podemos deixar de frisar a importância arquitectónica deste edifício. Como todos os templos católicos, ele dominou a paisagem local e definiu os eixos de urbanização que a vila de Cinfães conhece hoje. Isto desde o 3.ª quartel do século XVIII, quando foi concluído. Porém, muito antes existia no mesmo local uma igreja mais pequena, que o Padre Heitor Cardoso, em 1758, descreveu nos seguintes termos: tem a dita Igreja coatro Altares a saber o Altar Mor, a donde esta, o Sacrario; e outro de Nosa Senhora do Rosario com a sua Imagem e outro de S. Joam Baptista com a sua Imagem e outro de Sancta Catherina com a sua Imagem e a Igreya nam tem mais que huma só Naue. Talvez fosse este templo o edifício medieval onde o morgado Vasco Esteves de Matos instituiu, em 1388, a cabeça do seu vínculo, numa capela adossada à nave que, transformando-se, chegou até aos nossos dias. E é provável que seja dessa igreja o tímpano agora exposto no exterior, que o padre Alfredo Pimenta conjecturava (erroneamente quanto a nós) ser do período visigótico. Sem dados arqueológicos e documentais, não há razão para excluir a hipótese de ter sido aqui a sede da terra de São Salvador, cujo orago, testemunho da Reconquista, foi depois substituído pelo de São João, o Baptista, pacificado o território - agora em busca de bênção para a fertilidade da terra. Voltaremos, um dia, a este tímpano e ao seu percurso histórico. Para já interessa saber quem foi o mentor do projecto da actual igreja de Cinfães e conhecer um pouco mais sobre a sua construção e valor artístico.
O Padre Patrício Correia Peixoto nasceu lugar do Cabo, termo da aldeia de Quinhão, da paróquia de Santa Cristina de Tendais, nos primeiros dias do ano de 1723. Foram seus pais Bernardo Correia Peixoto, do mesmo lugar de Quinhão e Maria Rodrigues, de Mourelos. Por via paterna descendia o pequeno Patrício do Doutor Mateus Peixoto de Sá, que fora Ouvidor da Casa de Bragança e, segundo alguns autores, secretário de Estado do rei Filipe II. Como veio tão ilustre família para Tendais?

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O «nascimento» do concelho de Cinfães.


Terminadas as recentes comemorações sobre o 150º aniversário do concelho de Cinfães, parece-me absolutamente necessário esclarecer alguns pontos que a este assunto dizem respeito.
Logo aqui cabe dizer que o concelho de Cinfães é muito anterior a 1855. A sua constituição ou fundação, se a tal podemos chamar, perde-se numa acumulação de usos e de costumes que nem sempre resultam de uma outorga oficial, emanada do poder régio, senhorial ou eclesiástico, se não da consuetudinariedade, ou seja da prática regular de certos hábitos e ritos de uma ou mais comunidades. Neste caso é impossível estabelecer uma data concisa para o seu «nascimento». Sabe-se, porém, que este pequeno concelho se estreitava entre os rios Douro, Bestança e Sampaio, alcançando, a Sul, os cumes do Montemuro, nas alturas de São Pedro do Campo, da Franqueira e do Fojo, onde marcos o separavam dos município de Nogueira, Tendais, Sanfins, Cabril e Alvarenga.

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