quinta-feira, 27 de abril de 2017

SERPA PINTO: NOVA BIOGRAFIA

Alexandre Alberto de Serpa Pinto (em 1877?). Digitalização de positivo fotográfico publicado em Cordeiro, Luciano - Alexandre Alberto de Serpa Pinto. Lisboa: Pércheiro, Gomes, dir., 1879.



A excessiva atenção que se prestou à figura de Serpa Pinto enquanto herói africanista, com conotações, primeiro nacionalistas e depois de carácter imperialista e colonialista, ofuscaram a figura do homem de oitocentos, militar, político e hábil promotor da sua imagem. Efectivamente o seu papel na manipulação do poder e o seu acesso ao mesmo, através do mundo clientelar e nepotista do estado monárquico ainda está por explicar, deixando o seu percurso entregue a um conjunto de circunstâncias inexplicáveis, frutos de encontros quase providenciais, escolhas quase divinas ou trajectos pré-determinados pelo inabalável percurso glorioso que Serpa Pinto deveria trilhar.
Mesmo os estudos mais recentes são limitativos quanto à interpretação, não só do seu papel como agente do estado português, militar ou político e todos os eventos e circunstancialismos que determinaram a sua ascensão no seio das políticas nacional e internacional.
Nesse sentido e depois de anos de pesquisa e desenvolvimento de um eixo de investigação, não acerca do homem, mas das suas circunstâncias num Portugal em redefinição da segunda metade do século XIX, apresentar-se-á, em breve, uma Biografia Histórica de Serpa Pinto. Não é a biografia definitiva, nem uma biografia como as que abundantemente foram publicadas até hoje, emulando o carácter pretensamente heróico e sobre-humano que o transformaram no português mais falado do século, mas a leitura de um historiador perante uma obra individual de alcance colectivo, que estava a ser preparada muito antes do nascimento de Serpa, em 1846, e que vai muito além da sua morte, em 1900.

O autor, Nuno Resende, já publicou uma súmula sobre Serpa Pinto:
Resende, Nuno - «Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto (1846-1900): construção e desconstrução de um percurso biográfico». Prado. n.º 3 (2008).
 

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