domingo, 31 de março de 2013

Os Sousas Pintos de Fundoais (parte I)



Retrato extraído de O Occidente n.º 111, de 21-01-1882. Basílio Alberto de Sousa Pinto (1793-1881).


Os Sousas Pintos, assim conhecidos a partir do casamento do doutor José de Sousa Ribeiro Pinto e de D. Bernarda Maria Correia Pinto de Resende, em 1787, são um dos mais notáveis exemplos de ascensão social através da política. Ideologia e formação académica determinaram que o poderia ser apenas mais uma geração de bacharéis de província resultasse na vertiginosa progressão de cinco irmãos que marcaram o panorama cultural português através das mais variadas áreas, desde a astronomia ao direito.
[Continuar a ler...]

sexta-feira, 15 de março de 2013

Caderno fotográfico do património cinfanense #1

Interior da igreja matriz de Cinfães (c) Pedro Vieira, 2013

Começamos uma rubrica com fotografia sobre o património cinfanense. Uma forma de através da imagem conhecermos, preservarmos e potencializarmos a nossa herança histórica. Para primeiro retrato, o interior da igreja matriz de Cinfães, dedicada a São João Baptista - um extraordinário edifício barroco de que já falamos quando fizemos a biografia do seu principal mentor, o padre Patrício Correia Peixoto, natural de Tendais.

domingo, 10 de março de 2013

O problema das estradas, caminhos e pontes romanas.


Sem o devido enquadramento histórico, demográfico e político, qualquer calçada pode ser chamada de romana.

Excerto de:  
Resende, Nuno- Fervor & Devoção: Património, culto e espiritualidade nas ermidas de Montemuro (séculos XVI a XVIII). Porto: Universidade do Porto,  2012. Dissertação de doutoramento em História da Arte Portuguesa. Disponível em-linha.
[…]
A discussão sobre o trajecto das vias romanas em Portugal constituiu um dos assuntos mais debatidos na historiografia e na arqueologia ao longo do último século. Concomitante a este debate foi a destruição quase compulsiva do património viário que pudesse ajudar a esclarecer este obscuro ponto da história da engenharia.
Desde o período da Regeneração que os velhos traçados e o seu revestimento foram sendo substituídos ou desmantelados para dar lugar a novas vias, edificadas com recurso a novas técnicas e novos materiais. A alteração da paisagem e da percepção do homem que agora transita pelas novas vias, a outras velocidades e com recurso a outros meios de transporte menos propícios à observação, tem deturpado a leitura da paisagem de tal forma que qualquer calçada remanescente é confundida com via antiga. A sua conservação, a inexistência de documentação específica sobre a planificação destas estradas ou caminhos, e a ausência total de estudos sobre a sua concepção e construção, deixaram mais dúvidas do que aquelas que foi possível esclarecer apenas com recursos às conhecidas fontes clássicas.
De resto, o mesmo pensamento aplica-se a períodos posteriores, nomeadamente à Idade Média e ao período moderno. Se muito pouco se sabe sobre as estradas medievais (e nesta medievalidade incluímos a presença multi-étnica, desde os Suevos aos Muçulmanos), menos ainda logramos vislumbrar sobre a edificação da estrutura viária moderna e contemporânea anteriores às planificações conceptualizadas no Liberalismo.
Na região de Montemuro são incipientes os estudos sobre a rede viária mormente a existência de vias romanas tenha preocupado alguns investigadores. Sobre tais canais se fundamentaria a posterior circulação, como se os homens dos séculos seguintes fossem inaptos ou incapazes de utilizarem ou melhorarem o legado técnico que receberam. Sempre actual e pertinente, portanto, a crítica de C. A. Ferreira de Almeida: «terrível obsessão considerarem-se todas as calçadas velhas como romanas como se estas fossem eternas e como se depois dos romanos se não construíssem outras. Obsessão mais comum ainda considerarem-se romanas todas as velhas pontes como se a Idade Média tivesse ignorado a sua construção ou fosse, económicamente, impotente para as fazer.»(1)

Speech by ReadSpeaker