domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bibliografia cinfanense #8

 CARDOSO, Manuel - Ó linda Chã (Ferreiros de Tendais - Cinfães). Poemas. [Lamego]: [edição de autor], 1996.

Todas as terras têm o seu poeta. Desde tempos imemoriais, pelo menos desde que o Homem articulou os primeiros sons, que a linguagem cedo terá passado pela poesia, pela mnemónica  - ou seja pela repetição poética de certos acontecimentos. De certa forma, os primeiros historiadores terão sido poetas, recordando eventos e imortalizando cenas de amor, tragédia ou heroicidade. 
Cinfães contará, certamente com um punhado considerável de poetas e poetisas que ao longo dos anos musicaram a labuta com canções herdadas ou de improviso. Nem todas escaparam à morte das gerações, ou ao esquecimento do momento que as tornou efémeras. Felizmente que alguns poetas, como Manuel Cardoso, natural do lugar de Chã, freguesia de Ferreiros de Tendais, deixaram para a posteridade a sua obra. Mais ainda tratando-se de um homem de vários lavores, que cedo deixou a sua terra para procurar ofício  na cidade do Porto. Sabido é que a saudade exalta a veia poética. Talvez tenha começado assim.
O livro de poesia "Ó linda Chã", editado em 1996, com prefácio, selecção e revisão do romancista Guido de Monterey, reúne 154 poemas, quadras que falam sobre saudades, pessoas, casos, lendas, lugares. Não podemos de deixar de assinalar, em tópicos, a semelhança ao livro já aqui citado, Musa Sinfanense. Embora distantes um do outro em quase um século, ambos falam da ausência e da distância.
O livro abre com um prefácio de Guido de Monterey e com um breve texto biográfico, também deste autor. Por ele ficamos a saber que Manuel Cardoso apesar de nascido em Trás-os-Montes, radicada a sua ascendência por terras de Chã. Depois de uma passagem pelo Brasil (o destino de tantos cinfanenses ao longo dos séculos XIX e XX), Manuel Cardoso aprendeu na casa de São José do Porto o ofício de Sapateiro e por aí se fixou, fazendo carreira na famosa Sapataria Pessoa, casa de afamada reputação comercial da cidade que, na iminência de fechar foi adquirida por este industrioso cinfanense. Manuel Cardoso faleceu a 30 de Abril de 1995, sendo o seu corpo transportado até à sua freguesia "natal", Ferreiros de Tendais, onde jaz contemplando a terra que cantou.

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