terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Votos.

Ermida do Senhor do Amparo, f. de Alhões, Cinfães, 2004 (c) Nuno Resende


A todos os leitores, cinfanenses e amigos, o autor do blogue História de Cinfães deseja um Santo Natal.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Para que serve a História?

Muitas pessoas confundem História com estória e consideram ambas as palavras como sinónimo para carolice, distracção, passatempo. Enganam-se. A História é o motor das sociedades, das civilizações. Se não recordássemos, viveríamos envoltos numa espécie de nevoeiro: sem orientação não saberíamos de onde tínhamos vindo, nem para onde deveríamos seguir. Um exemplo muito interessante do resultado  do estudo do Passado é poder acautelar o presente e o futuro. Não se trata do recurso a artes adivinhatórias, mas de um planeamento pensado e sério com base em acontecimentos dos quais já não existe tradição oral, mas que um historiador pode reconstituir analisando ou cruzando documentos. Vejamos o caso dos alagos na região de Cinfães. Em 2005 uma enxurrada provocou o pânico em Vila de Muros; já havia memória de algo semelhante ter acontecido, em 1977, e o História de Cinfães recuperou a notícia de um destes desprendimentos de terra e água que atingiu a aldeia em 1844. Mas noutros locais do actual concelho de Cinfães já sucederam casos semelhantes tendo havido registo de mortos e elevados prejuízos, como o que sucedeu, também em 1844, entre as freguesias de São Cristóvão de Nogueira e Santiago de Piães:

"Segundo participação do Governador Civil de Vizeu, em data de 16 do corrente [Março], consta que a 27 [de Fevereiro] do passado, pelas dez horas da manhã, entre as freguezias de S. Christóvão de Nogueira do concelho de Sinfães e Sant-Yago de Piães, do concelho de Sanfins, houve uma explosão de agua e pedras, que seguiu para o lado opposto da freguezia de S. Christovam, na direcção do ribeiro de Oleiros até ao Douro, ganhando n'este curso grande incremento, e causando muitos estragos em distancia de mais de uma legoa. § Destruiu todos os terrenos, fazendo vallas de 60 palmos de altura, e de 30 braças de largo; levou no seu curso 50 moinhos ou azenhas, entulhou o Doiro, e causou a morte a 8 ou 9 pessoas, entre as quaes havia uma familia inteira. O estrago calcula-se em sessenta contos de réis."  Revista Universal Lisbonense, 1844, p. 392.

Se as devidas autoridades que tratam do desenvolvimento e planeamento urbanístico, se socorressem de Historiadores, talvez os Planos Director Municipais fossem gizados com mais cuidado e pudessem evitar a repetição destes fenómenos ou, pelo menos, salvaguardar pessoas e bens de futuras tragédias. Afinal, a História, como se pode ver, não serve apenas para entreter literatos ou decorar estantes. É uma ciência e, como todas as ciências, deve ter por finalidade servir a Humanidade.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Camilo de passagem.

Embora durante a construção da linha do Douro se tivesse discutido sobre o melhor local para colocar a estação que melhor serviria o concelho de Cinfães (alguns políticos sugeriam a Pala) o certo é que com a edificação da ponte metálica de Porto Antigo na década de 1890, Mosteirô passou a ser um dos principais pontos de paragem daquela via férrea. Por aqui passou Camilo Castelo Branco em 1881, numa das fases mais perturbadas da sua vida:


Estamos os dois selvagens, meu caro Negrão. Tu em Mosteirô e eu em S. Miguel de Seide. Ha sete mezes estive na estação proxima de tua casa. Não podia ir abraçar-te porque acompanhava meu filho Jorge que indoudeceu aos 16 annos, tem hoje 18, e está irremediavelmente perdido. Quando passei vinha das Pedras Salgadas onde elle apenas se demorou 2 horas, e quiz immediatamente oltar para casa. Eu adoro este desgraçado; e o que peço a Deus é que m'o deixe viver assim.

Carta de 1 de Abril de 1881, Visconde de Villa Moura, Camillo inédito, pp. 28-29.

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