segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cinfães do Douro, ou apenas Cinfães?

Um dos erros mais comuns que se comete ao escrever ou ao referir-se ao concelho Cinfães é denominá-lo Cinfães do Douro. Esta designação não existe nem nunca existiu como designação oficial. De resto, só se utilizam as expressões "do Douro", "da Serra", "da Beira", "velha", "nova", etcª, quando são conhecidas duas ou mais localidades com o mesmo nome, como as inúmeras Oliveiras que, para se diferenciarem geograficamente entre si acrescentaram o topónimo ou macro-topónimo do território em que estão localizadas (ex.º Oliveira do Douro e Oliveira da Serra). Ora, não existe em Portugal outra povoação com o nome de Cinfães, pelo que nunca foi necessário estabelecer qualquer diferenciação geográfica.
A confusão para a denominação Cinfães do Douro deve residir em dois factos: o primeiro, o mais óbvio, de que Cinfães se encontra próximo daquele rio e daí surja a associação entre ambos; o segundo facto prende-se com o topónimo Sanfins que foi, até 1855, o nome de um dos concelhos que se extinguiu para originar o actual município cinfanense. Pois bem, existem, ao longo do vale duriense, duas (outrora importantes) povoações chamadas Sanfins. Uma em Santiago de Piães e outra no actual concelho de Alijó. Como ambas foram sedes de município até ao Liberalismo, houve necessidade de distingui-las pela sua localização.
Apesar de Sanfins, próximo a Piães, ficar relativamente perto do Douro, recebeu o epíteto "da Beira", pois até ao século XX (antes de ser criada a Província do Douro Litoral) situava-se nessa região e a Sanfins de Alijó, ficou sendo "do Douro" por se encontrar no coração daquela região demarcada. Ora, Cinfães e Sanfins são palavras foneticamente muito próximas e é natural que parte da confusão resida nesse facto. É afinal um absoluto desperdício de palavras e até um contra-senso acrescentar "do Douro", mesmo que, por motivos turísticos que se queira aproximar ao rio uma localidade que, infelizmente, surge amiúde nas notícias por motivos menos honrosos. De resto não existe Baião do Douro ou Resende do Douro.
O topónimo Cinfães é suficiente para nomear esta localidade, de resto hoje, e desde 1855, composta equilibradamente por uma parte serrana e uma  "zona" ribeirinha. O seu caráter reside, aliás, nesse nome único na toponímia portuguesa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A toponímia em Cinfães.



Cinfães tem um problema toponímico. Quer isto dizer que, na recente febre de baptizar todas as ruas, quelhos, congostas, becos e rotundas, tem-se ignorado que o município possui uma toponímia histórica, construída pelos seus habitantes e tem uma História, que os habitantes e os governantes municipais infelizmente ignoram. Talvez por isso se tenha optado por nomear artérias novas e antigas da vila de Cinfães com nomes de apaniguados partidários, heróis políticos nacionais e, mais raramente, um cinfanense (geralmente o mesmo, ou seja, Serpa Pinto). O problema é, contudo, regionalmente endémico e muito revelador do atraso cultural dos senhores que nos gabinetes das Câmaras decidem estas coisas. Já o é assim pelo menos desde o Estado Novo que baptizou as então pobres ruas de Cinfães com nomes de homens do regime, como Major Monteiro Leite ou Coronel Numa Pompílio. Mas, alguém, sabe quem foram estes homens? o que fizeram por Cinfães e qual a sua importância a nível nacional? Claro que não. Como amanhã ninguém saberá quem foi o fulano ou sicrano que sendo apenas mais um médico, um político, um padre ou um juíz que mais não fizeram do que cumprir a obrigação profissional, vêm o seu nome atribuído a uma rua . Entretanto perde-se a toponímia e a memória histórica, que de tão maltratadas andam pelas ruas da amargura. Ao menos dê-se a uma avenida nova o nome de Avenida dos Cinfanenses, como respeito por quem cá e pelo mundo fora chora a distância à sua terra. Anónimos que construíram com as mãos este concelho e por quem os grandes e poderosos cada vez têm menos respeito.

sábado, 9 de outubro de 2010

Cinfães representada na 1.ª revista dos bens culturais da Igreja em Portugal


Com o artigo: RESENDE, Nuno - "O discurso do tempo: para uma releitura das Memórias Paroquiais de 1758. Invenire, Lisboa: SNBCI, n.º 1 (2010) 14-17.


"Única publicação nacional que se dedica a informar sobre o património cultural, documental e artístico da Igreja Católica em Portugal, aposta na difusão de projectos de salvaguarda e intervenções de valorização, mas também na divulgação de estudos inéditos, propostas de interpretação actuais e obras pouco conhecidas do público em geral. É essa a sua especificidade. A articulação entre temas da actualidade, numa vertente informativa, e estudos de natureza científica, baseados em investigações originais." Esta publicação é de excelente qualidade gráfica e de conteúdos diversificados. Será, com certeza, uma mais valia para o estudo, reconhecimento e salvaguarda do património em Portugal. Pode ser adquirida, aqui.

Speech by ReadSpeaker