segunda-feira, 3 de maio de 2010

Comunicado.


(foto 1 - clique para aumentar)


A 4 de Janeiro do presente ano tomei a iniciativa de enviar uma circular aos Conselhos Executivos e Directivos das principais escolas e agrupamentos escolares do município de Cinfães. Numa breve exposição propunha que se congregasse a Escola, através dos seus docentes e discentes, e as comunidades locais. em torno de uma iniciativa inclusiva que recordasse o Centenário da República a partir de uma perspectiva social e dinâmica abrangente. A ideia era resgatar o património fotográfico individual e familiar local dos últimos cem anos, o qual seria digitalizado, devidamente acomodado e estudado com fins pedagógicos e científicos.

De todas as Escolas contactadas, apenas uma professora do grupo de História do Agrupamento de Escolas de Souselo louvou a iniciativa, comunicando a sua adesão à mesma.

Junto com a circular, enviei um memorando (foto 1) que, de forma provisória, dava conta de alguns elementos do projecto, tais como a finalidade, os objectivos e um breve cronograma.
Até ao presente mês (Maio) resposta alguma, oficial, recebi.

Ontem, ao consultar a Revista Municipal Cinfães, no seu número 40 fui confrontado com um anúncio intitulado «Álbum de recordações», onde se solicitava a recolha de fotografias antigas e desenvolvia a ideia de «reunir essas imagens e construir uma base de dados digital que depois poderá ser utilizada para diversos fins: exposições, publicações imprensas [sic], elaboração de postais, colocação na página electrónica da Câmara [...]».

Como se pode comparar pelo memorando em anexo e pela reprodução gráfica do site da Câmara com o texto da revista (foto 2), as semelhanças são gritantes.


(foto 2 - clique para aumentar)

É uma situação, no mínimo flagrante, de plágio. Como cidadão, mas sobretudo como autor e como historiador - ofício já tão pouco dignificado - sinto-me profundamente magoado por ver o desrespeito votado à maior das criações humanas: o pensamento.

Já não se pede que se pague, por que abnegado, o trabalho em prol da própria terra mas haja, pelo menos, respeito pelos direitos autorais e pela livre criação, eixos tão esquecidos e maltratados e, no entanto, contemplados no artigo 42.º da Constituição da República Portuguesa.

Nuno Resende

Publicado em Histport

Speech by ReadSpeaker