sábado, 26 de dezembro de 2009



Notícia do «Castelo de Chã» na revista L'Univers: histoire et description de tous les peuples (1846), segundo a apologia de Joaquim de Santa Clara de Sousa Pinto na Revista Panorama . Erroneamente designada por «Castelo», a Torre de Chã foi construída como casa-fortificada de um clã nobiliárquico, à semelhança de muitas outras que pontilhavam na região (São Cipriano, Torre de Paçô, em Oliveira do Douro, etc). No século XIX a família Sousa Pinto, de Fundoais, modelou a imagem actual da Torre, fazendo-a sede da linhagem dos Pintos e fazendo confluir até ela o desejo de um ideal de nobreza romântico (imagem aproveitada pelos escritores da época, como Rebelo da Silva, Alberto Pimentel e Camilo Castelo Branco).

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Guiães (ou Cinfães)

Como aventámos na Monografia de Cinfães, editada em 2000 (Pelouro da C.M. Cinfães), cremos que a localidade de Guiães que Eça refere, pela boca de Jacinto e de José Fernandes no romance «A Cidade e as Serras», poderá ser Cinfães. Admitimos tal hipótese, não apenas pela semelhança dos topónimo s mas pela distância a Tormes e pela descrição da paisagem de Guiães que bem poderia caracterizar a de Cinfães. Se não, «ouçamos»:

«As historias, muito simples e muito caseiras, que eu lhe contava, de Guiães, do abbade, da tia Vicencia, dos nossos parentes da Flôr da Malva, tão sinceramente o interessavam que eu encetára, para seu regalo, a chronica completa de Guiães, com todos os namoricos, e as façanhas de forças, e as desavenças por causa de servidões ou d'aguas. Tambem por vezes nos enfronhavamos, com afferro n'uma partida de gamão, sobre um bello taboleiro de pau preto, com pedras de velho marfim, que nos emprestára o Silverio. Mas nada de certo o encantava tanto como atravessar as casas, pé ante pé, até uma saleta que dava para o pomar, e ahi ficar encostado á janella, sem luz, n'um enlevado socego, a escutar longamente, languidamente, os rouxinoes que cantavam no laranjal.»

Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, 1901 [consulta online aqui]

sábado, 7 de novembro de 2009

Notícias de Cinfães (I)



Revista Universal Lisbonense, Tomo III (1843-1844), p. 392. A notícia (datada de 27 de Fevereiro de 1844) reporta-se a um fenómeno conhecido localmente como "alágo" que 1977 e, mais recentemente, em 2005 provocou mortos e diversos estragos materiais na zona de Vila de Mures e Valverde, em Tendais. O deflorestamento ou o desmatamento, que favorecem a erosão dos solo, parece estar na origem de tal fenómeno que permite a formação de bolhas de água e o consequente desprendimento de terras, provocando graves enxurradas.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Agenda #1: conferência sobre Serpa Pinto (1846-1900)



Conferência – A actividade diplomática de Serpa Pinto, o Palácio da Junqueira e os Burnay: “o mundo através de negativos” (colecção de vistas estereoscópicas da Quinta do Paço, Cinfães) Palácio Burnay - Rua da Junqueira, 30 1300 Lisboa [17h30] - Conferencista: Nuno Resende (CEPESE – UP, Doutorando em História de Arte Portuguesa). Para mais informações, consulte o site do IICT.

domingo, 18 de outubro de 2009

A República vista de Cinfães.

«Os republicanos e o comicio do Porto»


No meio da crise angustiosa, que temos atravessado, e continua, vemos os republicanos, propugnadores das ideias avançadas, apparecerem na praça publica, a fazer manifestações ruidosas, a voltar aos ventos e encher os ouvidos da plebe, de palavras de patriotismo, com o fim, não de resolver o momentoso problema da dificil situação economica e financeira, que nos assoberba, mas -oh! patriotas- para tão sómente crearem difficuldades ao governo.
Discursos, palavras, gestos declamatorios, telegrammas para a imprensa estrangeira annunciando a revolução, eis as armas que de se serve esse grupo de portuguezes para salvar a situação.
Só a república -entendem esses senhores- póde salvar o nosso credito abalado, restaurar as nossas finanças e melhorar a situação economica do paiz.
É ridiculo esse movimento; magoa até, vêr meia duzia de aventureiros, appellidarem-se de portuguezes, todos inchados de patriotismo, apresentaram-se para salvar a patria, quando, na quasi totalidade, ignoram os principios mais rudimentares de administração publica e desconhecem por completo a forma de restaurar o nosso credito e finanças.
Nem um plano, nem um alvitre, sequer, indicam. Cerebros vasios que, na sua ignorancia, pretendem saltar por cima dos homens praticos e de reconhecido saber, para impõrem uma ideia ao paiz que poderá ser bonita como ideal, mas deixaria em peor estado a nossa situação.
Quando, depois do ultimatum houve o movimento contra a Inglaterra pelo assalto de tigre com que nos feriu na nossa dignidade nacional, houve enthusiasmo que, por vezes, subiu até ao delirio, e a resistencia, embora exhorbitante, produziu algum resultado util.
Assim houve, e ainda ha, quem movido justamento pelo odio contra a Inglaterra, repudiasse productos da industria ingleza, para se fornecer dos de industria nacional. Este facto é legitimamente patriotico. (…)
Á semelhança do que se fez desejaria eu que esses patriotas republicanos, em vez de blafesmarem na praça publica, e insultarem pela imprensa as instituições e os homens publicos, se congregassem e unissem em um só pensamento, promovendo por todos os meios uma grande subscripção que tendesse a exonerar-nos dos encargos que pesam sobre a nação; que apresentassem e publicassem planos financeiros com o mesmo fim; e finalmente que fizessem alguma cousa de util e proveitoso para o paiz.

F., - A Justiça [de Cinfães], 5-Setembro-1897.

Nota: Este artigo refere-se ao comício realizado na rua do Bonjardim no dia 13 de Junho de 1897 e onde Afonso Costa, que mais tarde haveria de ser um dos mais destacados paladinos do extremismo republicano português, fez um discurso inflamado perante um auditório de comerciantes e caixeiros - território humano bastante susceptível de adesão aos movimentos minoritários e revolucionários do republicanismo. Era aliás esta pequena burguesia, juntamente com o proletariado e operariado rural destacado no Porto, que levava até Cinfães os ideais de república, que relutantemente contaminariam os jornaleiros, lavradores ou proprietários locais, pouco instruídos, pouco politizados e tementes à Religião.

Dicionário Biográfico de Cinfães: Padre Patrício Correia Peixoto


Padre Patrício Correia Peixoto
Tendais, 1723 - Cinfães, 1799
Paróco de Cinfães, mentor da reedificação da igreja matriz de Cinfães

Lemos recentemente no blogue de um conterrâneo cinfanense que a igreja matriz de Cinfães tinha sido obra de Nicolau Nasoni. O autor do blogue não sabia onde tinha obtido tal informação, mas é seguro que a tenha colhido numa obra monográfica local, destas que continuamente vão deseducando a nossa juventude, com informações históricas incorrectas e um palavreado inócuo que em nada contribui nem para o conhecimento, nem para a educação, muito menos para a salvaguarda do património cultural.
Esses monógrafos amadores, cheios de lirismo, são da mesma cepa dos que espalharam aos quatro ventos que a ponte de Covelas, sobre o rio Bestança, era do românica, quando a mesma ponte está perfeitamente datada de 1762, sendo portanto, um belíssimo revivalismo do período barroco que em nada deslustra a importância da construção. Infelizmente, basta percorrer a internet para perceber que o erro se repetiu até à náusea e provavelmente se repetirá ad aeternum, graças às afirmações categóricas de um ou outro mal preparado "estoriador". Ora se o erro da "deficiente" datação da ponte de Covelas é dos do tipo de palmatória, considerar a igreja de Cinfães como da autoria de Nasoni, - o famoso projectista da torre dita dos Clérigos, no Porto -, pode ser mais difícil de destrinçar para quem não for Historiador da Arte. Sem documentos, apenas com base em conjecturas derivadas da comparação de um outro pormenor, facilmente se atribuem autorias. O facto é que a igreja de Cinfães, bonito exemplar de um barroco regionalista, que se destaca entre as suas congéneres pela graciosidade do enquadramento decorativo do vão principal, foi concluída já Nasoni vivia o seu "canto de cisne".Os historiadores da obra daquele grande pintor italiano nunca incluíram, nem como trabalho documentado, nem como trabalho atribuído, a igreja de Cinfães entre os vários trabalhos executados por Nasoni em Portugal. Contudo, não podemos deixar de frisar a importância arquitectónica deste edifício. Como todos os templos católicos, ele dominou a paisagem local e definiu os eixos de urbanização que a vila de Cinfães conhece hoje. Isto desde o 3.ª quartel do século XVIII, quando foi concluído. Porém, muito antes existia no mesmo local uma igreja mais pequena, que o Padre Heitor Cardoso, em 1758, descreveu nos seguintes termos: tem a dita Igreja coatro Altares a saber o Altar Mor, a donde esta, o Sacrario; e outro de Nosa Senhora do Rosario com a sua Imagem e outro de S. Joam Baptista com a sua Imagem e outro de Sancta Catherina com a sua Imagem e a Igreya nam tem mais que huma só Naue. Talvez fosse este templo o edifício medieval onde o morgado Vasco Esteves de Matos instituiu, em 1388, a cabeça do seu vínculo, numa capela adossada à nave que, transformando-se, chegou até aos nossos dias. E é provável que seja dessa igreja o tímpano agora exposto no exterior, que o padre Alfredo Pimenta conjecturava (erroneamente quanto a nós) ser do período visigótico. Sem dados arqueológicos e documentais, não há razão para excluir a hipótese de ter sido aqui a sede da terra de São Salvador, cujo orago, testemunho da Reconquista, foi depois substituído pelo de São João, o Baptista, pacificado o território - agora em busca de bênção para a fertilidade da terra. Voltaremos, um dia, a este tímpano e ao seu percurso histórico. Para já interessa saber quem foi o mentor do projecto da actual igreja de Cinfães e conhecer um pouco mais sobre a sua construção e valor artístico.
O Padre Patrício Correia Peixoto nasceu lugar do Cabo, termo da aldeia de Quinhão, da paróquia de Santa Cristina de Tendais, nos primeiros dias do ano de 1723. Foram seus pais Bernardo Correia Peixoto, do mesmo lugar de Quinhão e Maria Rodrigues, de Mourelos. Por via paterna descendia o pequeno Patrício do Doutor Mateus Peixoto de Sá, que fora Ouvidor da Casa de Bragança e, segundo alguns autores, secretário de Estado do rei Filipe II. Como veio tão ilustre família para Tendais?

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O «nascimento» do concelho de Cinfães.


Terminadas as recentes comemorações sobre o 150º aniversário do concelho de Cinfães, parece-me absolutamente necessário esclarecer alguns pontos que a este assunto dizem respeito.
Logo aqui cabe dizer que o concelho de Cinfães é muito anterior a 1855. A sua constituição ou fundação, se a tal podemos chamar, perde-se numa acumulação de usos e de costumes que nem sempre resultam de uma outorga oficial, emanada do poder régio, senhorial ou eclesiástico, se não da consuetudinariedade, ou seja da prática regular de certos hábitos e ritos de uma ou mais comunidades. Neste caso é impossível estabelecer uma data concisa para o seu «nascimento». Sabe-se, porém, que este pequeno concelho se estreitava entre os rios Douro, Bestança e Sampaio, alcançando, a Sul, os cumes do Montemuro, nas alturas de São Pedro do Campo, da Franqueira e do Fojo, onde marcos o separavam dos município de Nogueira, Tendais, Sanfins, Cabril e Alvarenga.

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«Em Tendaes»

«Como de costume, realisou-se no passado Domingo, n’esta freguezia, a festa da padroeira, Stª. Christina. Esteve bastante animada, fazendo-se ouvir a música de Sinfães, que, como sempre, agradou, e subindo ao pulpito o reverendo Thomé Pinto Cardoso, muito digno parocho de Nespereira, que fez um bom discurso. Distinguiu-se na ornamentação da egreja o armador Carolino Corrêa d’Alvarenga, tornando-se principalmente digno da menção na maneira como dizpôs os andores, no que se distingue bastante de todos os armadores que, que alli teem ido. § Outrora esta festividade era muito concorrida, tornando-a atrahente a chegada dos romeiros, que do S. Macario por alli abordavam, com chapeus ornados de ramos e imagens de santos, em alegres descantes. N’esse tempo, viam-se grandes alas desde o Adro velho até ao Jogo, formadas pelas vendedeiras de fructas, que procuravam vender o melhor que podiam, podendo os romeiros escolher à vontade, e saborear o espectaculo das fructas maduras, que faziam crescer a agua na bocca, e despertavam o apetite, ao mesmo tempo que impregnavam o ar de delicioso aroma, mais suave e apperitivo do que o das essencias enfrascadas. § Que saudades d’esse tempo!»

S/ indicação de autor - «Em Tendaes». A Justiça (1898).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dicionário Biográfico de Cinfães (II)

Alexandre Alberto de Serpa Pinto ou Alexandre Alberto de Serpa Pinto da Costa
(Vimieiro, ? - Vimieiro, 1839)

No ano em que se assinalam dois séculos passados sobre as invasões francesas e as guerras peninsulares, é impossível ignorar a figura de Alexandre Alberto de Serpa Pinto. O município de Cinfães que, embora não sendo a sua terra natal o é dos seus pais e avós, não o devia fazer, prestando o devido reconhecimento (talvez toponímico) a um dos mais importantes homens do Liberalismo – e, logo, da Democracia Portuguesa. Este militar, filho do Capitão-mor de ordenanças do Concelho de Ferreiros de Tendais, António de Serpa Pinto da Costa (bap. 02-06-1743) e de sua mulher Ana Angélica Maria Pinto de Abreu (fal. 15-11-1825), nasceu provavelmente em Vimieiro (freguesia de Sande, hoje c. de Marco de Canaveses), entre as décadas de 1760 e 1770, e distinguiu-se, numa primeira fase da sua vida, na defesa miliciana contra os invasores franceses e, depois, nas campanhas liberais do Porto e ainda no clima político que se lhe seguiu. Criado no seio de uma das mais nobres famílias das governanças do concelho de Ferreiros de Tendais (a qual tinha solar em Boassas), com ligações muito vincadas ao Porto e ao Minho, Alexandre Alberto, primogénito de nove irmãos, foi encaminhado para uma carreira de letras que já haviam seguido alguns dos seus familiares maternos, nomeadamente o seu tio-avó Quintiliano Pontes de Lacerda *, da Casa de Castro de Cio, Procurador do Estado de Bragança. Encontramo-lo, pois, em Coimbra, matriculado em 1799 no 2.º ano do curso de Direito, (AUC, Direito, 31-X-1798, matrícula, 2.º ano 2-X-1799), Universidade onde terá sorvido as ideias políticas e recebido os ventos ideológicos que o levarão a combater como militar pelo País e a servir o partido de D. Pedro de Bragança, Imperador do Brasil e Rei de Portugal. De facto poucos anos depois da sua formatura, a Europa seria varrida pelo Imperialismo tentacular de Napoleão. Portugal não escapa à cobiça hegemónica do Imperador dos Franceses e Alexandre Alberto não hesita em pegar em armas. Como homem de confiança do malogrado Freire de Andrade, executa serviços de espionagem, vigiando o General Loison ("o maneta"), que preparava a primeira invasão ao solo português (1807). Depois, destacou-se na libertação e defesa das cidades de Abrantes, Coimbra e Tui. Sobre o ataque a esta, em que se distinguiu ao lado do major Sebastião Pinto de Araújo e do Tenente Sá Baptista, foi escrito: «à frente de fracas forças atacou energicamente três mil soldados inimigos que se encontravam em Tui, pondo-os em completa debandada» (GEPB, vol. 28, pp. 464-465). Este feito e em particular a táctica que utilizou na conquista daquela cidade espanhola foram recentemente abordadas num Congresso sobre as Invasões Peninsulares. Durante a 3.ª invasão, ainda participou na libertação da cidade de Coimbra. Foi um dos bravos que desembarcou na praia do Mindelo, em Julho de 1832, ao lado de D. Pedro, tendo participado na conquista e defesa do Porto contra o exército miguelista - de forma tão briosa e corajosa que foi condecorado com o grau de Cavaleiro de Torre e Espada. Mas A.A. de Serpa Pinto não se notabilizou apenas no período das Invasões Francesas e das guerras liberais, como militar. Participou na construção do Portugal Liberal, como deputado às Cortes em 1823, 1834-1836 e 1838-1839. Deve-se-lhe uma intervenção na sessão de 20 de Maio de 1823, aquando de um projecto de divisão do território, em que agrupavam no Julgado de Cinfães os concelhos de Cinfães, Ferreiros de Tendais, São Cristóvão de Nogueira e Sanfins e no de Arouca, o de Tendais, entre outros. A este propósito, interviu, dizendo: «Eu queria que para este julgado [de Cinfães] passasse o concelho de Tendaes, que tem todas as communicações com Ferreiros, e confina com elle: além de que ficando pertencendo a Arouca tem de passar muitas, e mui altas montanas, intransitaveis no inverno». Assim foi aprovada esta moção, devendo-se a A.A. Serpa Pinto da Costa uma contribuição para a construção do actual município de Cinfães. Em 1836 esteve envolvido, com os dois filhos -António de Serpa Pinto e José Maria de Serpa Pinto * -, no movimento cartista que culminou na Convenção de Chaves (20-9-1837). Casou duas vezes, a primeira com a sua prima e parente, Joaquina Antónia de Lacerda da Silveira Ataíde Vasconcelos, da casa de Castro de Cio (Ferreiros de Tendais), de quem houve cinco filhas (uma delas Carlota Cacilda, mãe do explorador e africanista Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto*) e dois filhos, atrás referidos, ambos militares destacando-se o General José Maria de Serpa Pinto * (nascido em Boassas e baptizado em Oliveira do Douro a 20-03-1819). Casou a segunda vez com Isabel Laureana Mourão Figaniére (fal. a 31 de Agosto de 1867), irmã do Visconde de Figaniére, de cujo matrimónio houve dois filhos. Pensa-se que Alexandre Alberto de Serpa Pinto, como muitos liberais do seu tempo pertenceu à Maçonaria. Foi do Conselho da Rainha D. Maria II, Fidalgo da Casa Real (por alvará de 13 de Outubro de 1815), Comendador na Ordem de Cristo, Cavaleiro da Torre e Espada (como já referimos), condecorado com a cruz nº 3 da Guerra Peninsular, administrador da capela de Santa Maria Madalena, das Caldas de Aregos (administração que a rainha D. Maria estendeu por 2 vidas em memória do filho de A.A., José Maria, falecido em combate no Rossilhão, cf. Gazeta de Lisboa de 3 de Junho de 1794) e da capela de São Francisco da Vila de Setúbal, além das patentes militares que mencionámos. Faleceu em 1839, na sua quinta do Vimieiro, da freguesia de Sande. BIBLIOGRAFIA: S.A. - «Alexandre Alberto de Serpa Pinto». In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 28, pp. 464-465; REZENDE, José Cabral e REZENDE, Miguel Pinto de - Famílias nobres nos concelhos de Cinfães, Ferreiros e Tendais nos séculos XVI, XVII e XVIII. Porto: ed. [Carvalhos de Basto], 1988, p. 133; PINTO, Agostinho Albano da Silveira et alli - Resenha das familias titulares e grandes de Portugal, 2.ª edição. Lisboa: Edição de Empreza Editora de F.A. da Silva, 1991; PINTO, Luiz Bernardo Carneiro - «Descendências e origens» - VIII - Casa do Vimieiro, Raizes e Memórias, n.º 11 (1985) 179-180; AGUIAR, Manuel Vieira de, padre - Descrição histórica, corográfica e folclórica de Marco de Canaveses. Porto: Edição de Esc. tip. oficina de S. José, 1947, p. 215. Nota: a biografia dos nomes assinalados com asterisco (*) será desenvolvida em outros verbetes.

© Nuno Resende, Dicionário Biográfico e Histórico de Cinfães, n.º 2, 2009

Dicionário Biográfico de Cinfães: Giraldo Giraldes, o sem pavor

O lugar de Chã, Ferreiros de Tendais
Giraldo Giraldes, o sem pavor (séc. XII)


Militar e mercenário (séc. XII)



Figura controversa de contornos míticos que alimentou o espírito nacionalista português em várias épocas, Giraldo Girlades Gizado figura na História de Portugal como um caudilho de D. Afonso Henriques, «herói» destemido que recebeu o epíteto de Sem Pavor e ficou ligado à tomada de Évora, que uma certa historiografia modelou como empresa táctica e mestra. Hoje, graças ao levantamento documental e a novas fontes históricas é possível gizar uma ideia mais clara, não tanto de Giraldo Giraldes, sobre quem poucos registos existem, mas sobre seus congéneres: soldados mercenários, bandoleiros, que combatiam a troco de soldo, sem que os movessem intuitos religiosos ou de identidade.  

Speech by ReadSpeaker